As aulas remotas tem funcionado como uma alternativa para as aulas presenciais que eu dava no ateliê, mas, verdade seja dita, agora tenho percebido que elas podem ser uma opção para contornar a distância. O que eu quero dizer é que, antes achava que seria impossível dar aulas dessa maneira mas hoje percebo que essa configuração é uma maneira de troca autêntica.

Há, sem dúvida, alguns empecilhos, como o fato de não podermos ver com o tato do olhar a fatura real da pintura. Além disso exige-se tanto do grupo que estejamos conectados com os veículos de vídeo e foto — na aula vc tem que se conectar a mim através de um programa de conferência virtual além de me enviar fotos pelo zap das coisas que está fazendo, para eu poder palpitar em tempo real. Agora tenho uma parafernalha que permite fazer vídeos apontados para minha mesa de trabalho para exemplificar o gesto da pintura para o grupo e isso auxilia bastante.

Terças ou quintas
das 19h às 21h30
R$ 210 por mês

Tenho dois horários possíveis: Terças das 19h às 21h30 ou Quintas das 19h às 21h30. Você tem a opção de, numa semana fazer na terça e, na outra, na quinta – é só me avisar. Entretanto nosso combinado é mensal – ou seja, sua mensalidade cobre quatro encontros mensais, você pode usar a agenda como quiser, mas dentro do mês, porque senão fica ruim pra mim. Claro que, vamos dizer que esteja bem no finalzinho do mês e você não possa num dia, daí, lógico, que você pode fazer uma reposição na semana seguinte, mas se não deu, bola pra frente, vida que segue!

A ideia é que cada um, a partir da pintura pela observação direta, desenvolva sua poética.
Essa prática – a observação direta – se resume em pintar o que se olha e olhar o que se está pintando. Uma disciplina de aprendizado infinito. 

Não tem data de início. Pode começar quando quiser.

Para que o interessado conheça mais a proposição do curso, o espaço e os materiais, combinamos uma conversa individual. Pode me escrever (noronha.dani@gmail.com)  ou zap 9-9492-0613.

Materiais para aquarela

pincéis

O pincel é uma ferramenta pessoal e é recomendável que se experimente uma variedade deles para que se encontre o que gosta. Pincéis para aquarela devem ter as cerdas bem macias. Para os exercícios de aula o ideal é que nossos pinceis sejam redondos e mais grossos,  à partir de 6mm de “bitola”. Eu praticamente só uso pincel redondo (aquele que tem uma forma de gota de ponta cabeça, típico para aquarela).

Tenha em mente que a função primordial de um pincel é carregar a tinta mas não entregá-la de uma só vez. Os melhores são muito macios e transferem a tinta de forma gradual para o papel. Marta, esquilo, kolinsky, sable são pêlos animais muito bons, mas há muitas pessoas que condenam o uso de pinceis de pêlo animal (questionamentos absolutamente válidos). Entretanto, os pincéis que tenho de cerda animal são pra vida toda. Por isso que pincel a gente cuida muito bem – nunca deixa mergulhado no pote de água, guarda limpo (só lavo com água mesmo) e na horizontal de forma bem arejada. Pelo menos é assim que mantenho os meus.

Pincéis chineses ou japoneses (conhecidos como fudês) são muito ricos para linhas e manchas e são muito recomendáveis, apesar de, em geral, carregarem muita água e darem uma tendência muito mais úmida para a pintura. Há vários com preços acessíveis no mercado. A rede de lojas Daiso comercializa um tipo de pincel sintético bom (o de pelo natural solta as cerdas facilmente, não é tão bom). Na papelaria chinesa (Av. Liberdade 622) tem muito pincel bacana, eu tenho um de lá há anos e gosto muito dele. Peça para ver e tome o tempo que for para olhar todos, não se acanhe em perguntar. Cuidado só porque em geral eles oferecem também que você leve um papel para caligrafia japonesa, que eu pessoalmente acho que não serve muito para aquarela, mas se quiser experimentar, por que não?

A tigre faz um pincel de orelha de boi que é aceitável (mas carrega pouca tinta e, consequentemente faz a gente ter que voltar o tempo todo pra buscar mais). Eles fazem também um de Marta Tropical que é melhor e um de Marta que é o melhor pincel nacional que eu conheço.

Há linhas sintéticas que simulam os pelos naturais, como o Keramik 705 n. 08 que é uma ótima opção custo/ benefício. Eu tenho muitos deles para dar aula e gosto muito. Duram bastante também e dá pra trabalhar muito bem com eles.

tintas

Lápis aquareláveis não serão usados ao longo do curso. Não precisa de branco porque não o usaremos em aula.

Há dois tipos de aquarelas comerciais prontas — as em bloco e as em bisnaga. Cada pessoa pode escolher o jeito que prefere trabalhar pois as tintas em bisnaga são mais fáceis de ser diluídas mas precisam de um godê e as em bloco devem vir num estojo ou algo que as organize.

Tintas Rowney, Lukas, Cotmann, Van Gogh são indicadas para quem está iniciando e quer usar tintas com poder de pigmentação mais próximos da linha profissional.

As linhas da pentel (se estiver interessado em comprar esse jogo, não compre a que for para crianças, compre a que for “profissional”) ou da guitar ou sakura não tem poder de pigmentação bacana, mas para quem está tendo seus primeiros contatos, pode ser uma forma mais acessível. As bisnagas de siena, sombra queimada e os azuis desses estojos são muito ruins porque nem de longe se aproximam do que são as cores, mas como disse, às vezes são nossa única forma de começarmos a pintar. Então, sem crise, comece com elas se preferir. Conheço muita gente que tirava leite dessas pedras aí.

Rembrandt, Winsor&Newton são linhas profissionais boas.

Old Holland e Schmincke, Maimeiri, Blocx e Qor são linhas profissionais muito boas e minhas favoritas. Há outras mas nunca usei.

Se eu tivesse pouca grana e fosse começar a pintar, eu começaria com tintas de melhor qualidade, mesmo que podendo comprar poucas cores. Quando comecei a pintar só tinha uma bisnaga de ocre e outra de sombra queimada  (uma cor clara e opaca e outra escura e mais transparente) da W&N. Então se eu tivesse que começar, com 150 pilas, escolheria as seguintes cores:

. ocre;

. siena queimada;

. sombra queimada (e/ ou van dyck e ou/ sépia);

. azul ultramar (e/ ou cobalto);

. alizarim ou quinacridone.

(os verdes eu deixaria para comprar depois, ficaria me virando com as misturas possíveis de ocre e azul). Depois compraria verdes e amarelos. Daí pra frente, todas as escolhas de cores são pessoais.

papéis

O ideal é que cada um tenha à mão papeis indicados para aquarela. Há uma infinidade de possibilidades de papeis. Abaixo tentei sintetizar algumas.

Meus papeis favoritos são o Roma da Fabriano, o Arches da Canson, o Fabriano Artístico e o Molin du Roy da Canson. Infelizmente tem sido cada vez mais difícil encontrar deles nas lojas daqui de São Paulo.

Aquele tipo de papel que comumente chamamos de “canson” não é bom para aquarela pois se desfaz quando se trabalha com sobreposição de camadas.  No entanto, a Canson fabrica um bloco de papel que se chama “Aquarela” (acho que o melhor preço é da Kalunga), ou também o Aquarelle XL (porque vem com mais folhas) que são recomendáveis para quem está começando suas primeiras experimentações.

Papeis Hahnemühle Bamboo ou Britania, Watercolour Cotman, Fabriano para aquarela ou o Canson Monval respondem bem. Alerto para uma coisa:  vendedor de loja adora dizer que o papel é bom porque é mais grosso, mas isso não é referência para sua qualidade. O Roma (que eu menciono acima) é aprox. 100g e é maravilhoso.

Eu sugiro que cada um experimente a maior variedade de papéis possível pois essa escolha é muito pessoal.
Recomendo inclusive que se experimente os papéis orientais, de preferência os de Washi. Não recomendo aqueles papeis baratinhos para estudo de caligrafia oriental porque o papel não é encolado e a tinta vaza muito, além de ser um papel que funga muito rapidamente.

Curiosamente, o papel ingres da Hahnemühle (a Pintar em geral tem, mas ligue antes para confirmar se tem) responde bem à várias demãos, ao pigmento da aquarela e os recomendo por sua relação custo benefício. Eu tenho vários cadernos que fiz com esse papel, justamente porque são menos caros. Dê preferencia às cores mais claras do papel (ele é comercializado em muitas tonalidades).